Epicentro de uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por suspeitas de transferências fraudulentas de títulos eleitorais, o município de Mangaratiba, na Costa Verde fluminense, carrega um histórico de instabilidade política e judicial. Nos últimos 20 anos, todos os prefeitos eleitos na cidade enfrentaram condenações por crimes eleitorais — como abuso de poder econômico e compra de votos — ou por irregularidades na administração pública.
Essa tradição de cassações reflete uma crise estrutural de governança que afeta diretamente a população local e mantém a cidade refém de escândalos políticos. Dos últimos gestores, apenas o atual prefeito, Alan Bombeiro, conseguiu concluir seu mandato, que se encerra no próximo mês. Entretanto, sua gestão também foi marcada por acusações e polêmicas.
Investigações e disputas no pleito de 2024
O cenário político da cidade ganhou novos contornos em 2024, quando denúncias de fraude eleitoral agitaram as eleições municipais. O ex-prefeito Aarão de Moura Brito (PP), cassado duas vezes em mandatos anteriores, acusou Luiz Claudio Ribeiro (Republicanos), prefeito eleito neste ano, de manipular o pleito com transferências ilegais de eleitores para o município.
Reportagem recente do programa Fantástico, da TV Globo, revelou supostos esquemas que envolviam o uso de contracheques falsificados da prefeitura para justificar residências fictícias em Mangaratiba. Conversas obtidas em grupos de WhatsApp indicavam que moradores de outras cidades negociavam suas transferências para votar em Ribeiro.
O MP investiga as denúncias de compra de votos tanto no período pré-eleitoral quanto no dia da votação, mas os processos tramitam sob sigilo. Até o momento, 1,4 mil pedidos de transferência de títulos foram indeferidos pela Justiça Eleitoral por irregularidades. Luiz Claudio Ribeiro nega qualquer envolvimento e afirma que as acusações carecem de provas concretas.
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