Prefeitura de Nova Iguaçu destina R$ 23 milhões para publicidade e só R$ 300 mil à Defesa Civil.

Enquanto o governo amplia o orçamento para propaganda institucional, moradores enfrentam problemas em saúde, segurança e infra-estrutura

A Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu aprovou, nesta segunda-feira (4), o Plano Plurianual (PPA) 2026–2029, que define as metas e diretrizes da administração municipal para os próximos quatro anos. O documento prevê R$ 23 milhões em gastos com publicidade institucional, contra apenas R$ 300 mil destinados à Defesa Civil — órgão fundamental na prevenção e resposta a desastres, especialmente durante o período das fortes chuvas de verão.

A previsão orçamentária reforça uma prioridade controversa do governo do prefeito Dudu Reina, que tem apostado em ampliar sua presença em mídias como TVs, rádios, sites e outdoors, enquanto setores essenciais do município sofrem com carências estruturais.

Crise na saúde e sensação de abandono

 

Nos bairros de Nova Iguaçu, a insatisfação com a rede pública de saúde é constante. A falta de médicos, insumos e medicamentos básicos são relatados em diversas unidades. Em muitos postos, moradores enfrentam filas que começam de madrugada para tentar marcar consultas e exames que demoram meses para acontecer.

O Hospital Geral de Nova Iguaçu, conhecido como Hospital da Posse, segue superlotado. Pacientes são atendidos em macas improvisadas nos corredores, e os profissionais reclamam da sobrecarga e da falta de estrutura. Mesmo com esse cenário, o novo PPA não aponta investimentos expressivos para o setor.

Segurança pública e a ausência do poder municipal

 

Na segurança, o quadro também preocupa. A violência em bairros periféricos da cidade cresceu nos últimos anos, e o efetivo reduzido da Guarda Municipal tem dificuldade para cobrir o vasto território iguaçuano — o maior da Baixada Fluminense.

Moradores relatam sensação de abandono e falta de rondas nas regiões mais afastadas do Centro. Em algumas comunidades, o medo de sair à noite é constante. Apesar disso, o orçamento municipal prevê valores modestos para reforço da segurança, enquanto a publicidade institucional recebe atenção especial.

A voz solitária da oposição

 

O vereador Igor Porto (PL) foi o único parlamentar a votar contra a aprovação do PPA. Para ele, os números representam “um descompasso total com a realidade da cidade”.

“É inadmissível priorizar publicidade enquanto a população enfrenta filas em hospitais, ruas esburacadas e enchentes todos os anos. A Defesa Civil precisa de recursos para salvar vidas, não de migalhas orçamentárias”, criticou o vereador.

Histórico de altos gastos com publicidade

 

O aumento nas despesas com propaganda não é novidade na Prefeitura de Nova Iguaçu. Segundo dados oficiais, o governo municipal vem destinando cifras cada vez maiores para comunicação institucional nos últimos anos:

  • 2019 – R$ 274.594,22
  • 2020 – R$ 3.654.612,68
  • 2021 – R$ 4.112.461,97
  • 2022 – R$ 7.969.365,30
  • 2023 – R$ 6.212.455,84
  • 2024 – R$ 5.365.188,96
  • 2025 – R$ 3.517.257,21

Com o novo PPA, a previsão de R$ 23 milhões até 2029 consolida a publicidade como uma das áreas mais caras e privilegiadas da gestão Dudu Reina, superando setores fundamentais como habitação, segurança e assistência social.

Mais imagem, menos resultado

Em quase um ano de gestão, Dudu Reina ainda não entregou obras ou programas de grande impacto para a população. Mesmo assim, sua administração parece investir cada vez mais em construir uma imagem positiva — nas telas e nas ruas.

Enquanto isso, postos de saúde funcionam de forma precária, ruas alagam a cada temporal, e a violência avança nas regiões periféricas.
Para muitos moradores, o discurso de progresso propagado nas campanhas publicitárias não se reflete na realidade do município.

Em tempos de crise e desigualdade, a pergunta que fica é: de que adianta tanto investimento em publicidade se a população continua sem acesso ao básico?

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