R$ 1 bilhão em risco: investimento de Cláudio Castro no Banco Máster vira peça-chave em mega fraude investigada pela PF

Operação Compliance Zero desmantela esquema de R$ 12 bilhões em títulos falsos dentro do Sistema Financeiro Nacional — e expõe por que o governo do Rio aplicou 25% da Rioprevidência justamente no banco agora envolvido em fraude.

R$ 1 bilhão em risco: o investimento que o governo do Rio não consegue explicar

A deflagração da Operação Compliance Zero, pela Polícia Federal, expôs uma das maiores fraudes financeira já registrada no país. O esquema envolvia a emissão de títulos de crédito falsos, operações irregulares e manipulação deliberada de documentos — gerando um rombo estimado em R$ 12 bilhões.

As ações ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal, com:

  • 5 prisões preventivas,
  • 2 prisões temporárias,
  • 25 mandados de busca e apreensão.

Entre os alvos:

 

  • Daniel Vorcaro, presidente do Banco Máster, preso e monitorado para evitar fuga;
  • Augusto Lima, sócio de Vorcaro;
  • Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, afastado pela Justiça;
  • Três diretores do BRB — também afastados.

Com a operação, o Banco Máster — peça central do esquema — entrou em liquidação extrajudicial. E é justamente aí que o caso explode politicamente no Rio de Janeiro.

O alerta ignorado: 25% da Rioprevidência nas mãos do Banco Máster

Segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), 25% do patrimônio da Rioprevidência — fundo que paga aposentados e pensionista do Estado do Rio — foi aplicado em produtos administrados pelo Banco Máster, mesmo diante de sinais evidentes de risco.

A decisão partiu do governo Cláudio Castro, que autorizou aportes que somam aproximadamente R$ 1 bilhão em títulos sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos — ou seja, sem proteção em caso de quebra, como de fato ocorreu.

A escolha contraria:

 

  • Recomendações técnicas,
  • Análises de risco,
  • Alertas do TCE-RJ,
  • E movimentações do próprio mercado financeiro, que já percebia a instabilidade do Máster.

Ainda assim, o governo seguiu.

Hoje, com o banco sob intervenção e seu presidente preso, a operação revela um risco concreto: o dinheiro dos aposentados pode simplesmente não voltar. Por que o governo investiu em um banco à beira da ruína?A pergunta é inevitável — e até agora sem resposta.

A decisão de aplicar R$ 1 bilhão em um banco que já enfrentava problemas sérios é considerada por especialistas, servidores públicos e analistas políticos como temerária.

Três pontos tornam a situação ainda mais grave:

 

  1. O governo investiu pesado justamente na instituição que fraudava o mercado

Não houve azar, coincidência ou surpresa.
A PF descreve um esquema já em curso, com indícios claros de irregularidades.

Por que, então, o governo fluminense escolheu o Máster — e não instituições sólidas e tradicionais — para aplicar parte tão significativa da Rioprevidência?

  1. A decisão ignorou sinais explícitos de colapso.

Havia: Alerta do TCE-RJ; Problemas de liquidez; Operações suspeitas; Risco elevado em produtos oferecidos pelo banco.

Ainda assim, aportes milionários foram feitos.

  1. A operação atinge governadores — e Cláudio Castro está entre os mais expostos

Com o Máster no centro da fraude, governadores que mantinham relações financeiras com o banco estão no radar político.
No Rio, nenhum outro governador assinou tantos aportes ao Máster quanto Castro.

O peso político da operação

A Compliance Zero caiu como uma bomba nas estruturas do Estado do Rio.

Os efeitos:

  • Desgasta o governo em ano de pressão fiscal,
  • Coloca a Rioprevidência sob risco real de perdas irreversíveis,
  • Afeta diretamente servidores aposentados,
  • E reforça suspeita de favorecimento, negligência ou até possível irregularidade na relação entre o governo e o Máster.

Não há, até o momento, acusação formal contra Cláudio Castro relacionada ao caso.
Mas a falta de explicações claras intensifica a crise.

E agora, quem paga a conta?

A liquidação do Máster deixa o Estado do Rio diante do pior cenário possível:

 

  • Dinheiro aplicado em títulos sem lastro,
  • Fundos públicos expostos a fraude,
  • E servidores correndo risco de prejuízo bilionário.

Enquanto o governo tenta se esquivar, faltam respostas e sobram perguntas:

  • Por que investir em um banco já combalido?
  • Quem recomendou a operação?
  • Quem se beneficiou politicamente ou financeiramente desses aportes?
  • E como um governo coloca 25% da previdência pública num banco que agora é acusado de fraude?

Até que essas questões sejam respondidas, o caso seguirá como um dos maiores escândalos financeiros ligados ao Estado do Rio nos últimos anos.

 

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