O depoimento do ex-governador Anthony Garotinho à CPI do Crime Organizado não inaugurou uma crise no governo Cláudio Castro (PL). Ele apenas escancarou, com palavras diretas, aquilo que sucessivos escândalos já vinham revelando: o Rio de Janeiro está sob uma gestão permanentemente cercada por suspeitas de corrupção, aparelhamento do Estado e promiscuidade entre poder público e interesses criminosos.
Ao afirmar que Cláudio Castro “será preso”, Garotinho não fez apenas uma provocação política. Ele vocalizou uma percepção que se consolidou ao longo dos últimos anos: a de que o atual governo não consegue explicar, de forma convincente, a sucessão de operações policiais, investigações e denúncias que orbitam o Palácio Guanabara desde o primeiro mandato. Segundo denuncias de garotinho há uma organização criminosa no governo onde a cabeça é o próprio Claudio Castro – essa organização é denominada como “a turma do charuto”.
O governador Claudio Castro já esteve em um jantar em nova York, promovido por Ricardo Magro, quem é Ricardo Magro? O maior sonegador fiscal do Brasil – dono da Refit e alvo de uma megaoperação por sonegação de impostos no setor de combustíveis é conhecido por suas dívidas bilionárias com estados e a União, somando R$ 26 bilhões. Para recuperar o dinheiro do incentivo fiscal foi contratado um escritório de consultoria tributaria que tira nota e devolve o dinheiro, isso tudo segundo garotinho na cara de todos, Ainda segundo Garotinho o governador faz captura do dinheiro dos recursos
públicos em negócios ilícitos com empresas e nas secretarias. Já foi falado anteriormente pelo próprio Garotinho sobre vários tipos de corrupção no governo – entre tantas vamos lembrar algumas.
A Operação Placebo, conduzida pela Polícia Federal, expôs indícios de irregularidades em contratos da saúde — área historicamente marcada por desvios bilionários no estado. Desde então, a gestão Castro jamais conseguiu se desvencilhar da imagem de um governo que administra crises em vez de políticas públicas. As negativas oficiais soam repetitivas; os fatos, reincidentes.
O escândalo do Ceperj aprofundou esse quadro. Um órgão técnico transformado em balcão político, com suspeitas de folha inflada, pagamentos sem lastro funcional e uso eleitoral de recursos públicos. Não se tratou de falha administrativa pontual, mas de um modelo de gestão que parece tolerar — quando não estimular — a diluição dos limites entre o legal e o conveniente.
Em seguida, o caso das “quentinhas” reforçou o padrão. Contratos milionários, firmados sob o argumento da urgência social, passaram a ser questionados por indícios de superfaturamento, baixa transparência e execução duvidosa. Mais uma vez, dinheiro público, controle frágil e respostas evasivas. Mais uma vez, a população pagando a conta de um governo incapaz de inspirar confiança.
O que Garotinho levou à CPI foi a síntese desse processo. Segundo ele, não se trata de episódios desconectados, mas de um sistema em funcionamento, no qual organizações criminosas encontram espaço dentro do Estado para influenciar contratos, decisões administrativas e a destinação de recursos. Quando o
governador passa a ser citado como peça central desse debate, a crise deixa de ser política e se torna institucional.
É verdade que não há condenação judicial contra Cláudio Castro até o momento. Mas também é verdade que governos não se avaliam apenas nos tribunais — avaliam-se na credibilidade, na transparência e na capacidade de preservar o interesse público. Sob esses critérios, o governo Castro fracassa reiteradamente.
A CPI do Crime Organizado avança enquanto o Rio de Janeiro permanece refém de uma administração que coleciona investigações, mas entrega poucas explicações. O desgaste não é circunstancial, é estrutural. E a pergunta que se impõe não é se haverá novas denúncias, mas até quando o estado continuará sendo governado sob a sombra permanente da corrupção.
