Relatórios, representações e apurações em curso colocam sob escrutínio autoridades do Judiciário, políticos, técnicos do sistema financeiro e empresários ligados ao caso.
O Banco Master utilizou uma estratégia de criar um “comitê de notáveis” e contratar figuras de peso do cenário político e jurídico para aumentar sua credibilidade institucional antes de sua liquidação em novembro de 2025.
Abaixo, os principais nomes que atuaram como conselheiros ou possuem vínculos diretos com a estrutura do banco:
Ministros e Ex-Ministros no Conselho
° Ricardo Lewandowski: Antes de assumir o Ministério da Justiça no governo Lula, Lewandowski integrou o Comitê Estratégico do Banco Master. Sua saída do comitê ocorreu para que pudesse assumir o cargo no Executivo, sendo substituído por Henrique Meirelles.
° Henrique Meirelles: Ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Meirelles foi convidado para substituir Lewandowski no conselho consultivo do banco. Sua presença visava dar uma imagem de rigor técnico à agressiva estratégia de expansão da instituição.
° Alexandre de Moraes: Embora não tenha sido conselheiro formal, o ministro é citado pelo vínculo indireto via sua esposa, Viviane Barci de Moraes, cujo escritório de advocacia manteve um contrato de consultoria de R$ 129 milhões com o banco. Moraes também participou de jantares e eventos institucionais financiados pelo Master.
Políticos e Articulações Governamentais
O banco cultivou relações próximas com caciques do Centrão e do PT, especialmente na ala baiana:
Rui Costa (Ministro da Casa Civil) e Jaques Wagner (Senador): Possuem laços de amizade próximos com Augusto Lima, ex-sócio e ex-CEO do Master que foi preso na operação da PF. Essa conexão é vista pelo governo como uma das áreas de maior vulnerabilidade política no caso.
Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União Brasil): Foram citados em investigações como articuladores que “abriram as portas” do governo do Distrito Federal para o Banco Master. Essa articulação visava viabilizar a venda do Master para o BRB (Banco de Brasília), operação que acabou sendo negada pelo Banco Central.
Ibaneis Rocha (Governador do DF): Atuou como facilitador na proposta de aquisição do Master pelo BRB, banco estatal controlado pelo governo distrital. Figuras como: Paulo Gonet (Procurador-Geral da República) e Jorge Messias (AGU): Também são citados por terem participado de seminários e eventos patrocinados pelo Banco Master em capitais européias (como Londres e Lisboa), o que gerou questionamentos sobre o conflito de interesses após o início das investigações de fraude.
A tese dos investigadores é que o Banco Master montou essa rede de “conselheiros de luxo” e conexões políticas para tentar blindar suas operações contra a fiscalização do Banco Central. Com todas essas figuras “poderosas” que tiveram ou ainda tem vinculo com o banco entendemos um pouco o porquê de tanto alvoroço no meio político.
O Caso Banco Master tornou-se, em janeiro de 2026, uma das crises mais complexas da República, unindo um rombo financeiro bilionário à suspeitas de tráfico de influência que atingem a cúpula do Judiciário e do Governo Federal.
Abaixo, os detalhes sobre o envolvimento de cada ator e o impacto no Planalto:
1. O Pivô do Escândalo: A Liquidação do Banco Master
O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar uma fraude bilionária envolvendo a fabricação de carteiras de crédito. A instituição atraía investidores com promessas de rendimentos surreais (até 140% do CDI), o que gerou um alerta no sistema financeiro nacional e risco de rombo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O Envolvimento de Ministros do STF
Alexandre de Moraes: É alvo de reportagens que indicam ao menos quatro contatos (telefônicos e presenciais) com o Banco Central para tratar da situação do Master e sua negociação com o BRB (Banco de Brasília). O ministro nega, afirmando que as reuniões trataram apenas da “Lei Magnitsky”. Além disso, a divulgação de um contrato de consultoria de sua esposa com o banco aumentou a pressão ética sobre sua atuação, contrato esse no valor de 129 milhões.
Dias Toffoli: Centralizou as investigações no STF após a defesa do dono do banco, Daniel Vorcaro, alegar foro privilegiado devido a um contrato imobiliário com um deputado. Toffoli impôs sigilo máximo ao processo, restringindo o acesso até a outros ministros, e convocou uma acareação inédita entre o banqueiro e diretores do Banco Central. O ministro também é criticado por ter participado de eventos patrocinados pelo Master em Londres.
Ricardo Lewandowski: Embora atualmente no Ministério da Justiça, o nome de Lewandowski surge no contexto de pressões institucionais e do Código de Conduta do STF. Relatos recentes de 7 de janeiro de 2026 indicam rumores sobre sua saída do cargo em meio ao desgaste gerado pelo avanço das investigações, saída essa que não esta sendo bem esclarecida.
O Temor no Palácio do Planalto e no PT
O governo Lula adotou uma postura de distanciamento público para não “se molhar” na crise que envolve o BC e o STF. No entanto, internamente, o clima é de apreensão, o Planalto acompanha o caso com preocupação. Nos bastidores, há receio de que a liquidação do Master revele falhas regulatórias, omissões ou decisões políticas passadas.
Alerta na Bahia: Caciques do PT baiano teriam alertado o presidente Lula que, se Daniel Vorcaro (preso em novembro de 2025) fizer uma delação, a ala baiana do partido poderia ser diretamente implicada.
Conexão BRB: A tentativa de venda de ativos podres do Master para o BRB, um banco público, sugere uma rede de lobby que pode alcançar figuras do governo e do Legislativo.
Risco Político: Em ano eleitoral (2026), o governo teme que o caso alimente pedidos de impeachment contra ministros aliados no STF, paralisando o país.
A leitura política é direta: quanto mais a investigação avança, maior o risco de transbordar para decisões tomadas fora do banco.
Fontes parlamentares e analistas apontam três motivos principais para o mal-estar generalizado:
1. Risco de exposição institucional – A liquidação pode revelar bastidores entre reguladores e agentes políticos.
2. Efeito dominó – Outras decisões regulatórias passadas podem ser questionadas.
3. Disputa de poder – Quem controla o processo controla a narrativa.
A cronologia dos fatos revela uma crise que vai além de um banco específico. Quando fraudes bilionárias, tentativa de reversão de liquidação, sigilo judicial, pressão política e disputa entre órgãos de Estado se encontram no mesmo processo, a pergunta deixa de ser técnica e passa a ser política: o que exatamente está sendo protegido no caso Banco Master?
“Quando TCU, Banco Central, STF e Planalto entram em tensão ao mesmo tempo, o problema claramente não é apenas um banco.” Concluímos assim, ainda tem muito a ser investigado sobre este caso: BANCO MASTER.
Status Atual: O ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, deve prestar depoimento em 26 de janeiro de 2026, o que é visto como o próximo grande gatilho para novas revelações
