Quatro Mandatos, Mesma Enchente: Até Quando a Zona Norte Vai Pagar a Conta?
No último dia nove (segunda feira) a chuva caiu forte no Rio. O Rio Acari transbordou. E, mais uma vez, a água entrou nas casas da Zona Norte, Não foi à primeira vez; Segundo levantamento do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o rio transbordou ao menos seis vezes ao longo de 2025, com ocorrências registradas em janeiro, março, abril e novembro. Não foi a primeira vez nesta década em janeiro de 2024, aproximadamente 300 residências localizadas no entorno do Rio Acari foram interditadas após as fortes chuvas que atingiram a região e levaram a Prefeitura a decretar estado de emergência. E não foi a primeira vez sob a gestão do mesmo prefeito, Essas regiões já havia sido afetada por grandes inundações em dezembro de 2012, no último ano do primeiro mandato do atual prefeito Eduardo paz, quando o nível da água chegou a ultrapassar janelas por cerca de duas horas. A bacia do Rio Acari é uma das maiores da cidade com cerca de 107 km², sendo a região uma das mais populosas da cidade – com trechos considerados mais críticos nos bairros de Acari, Parque Colúmbia e Jardim América.
Novo drama
Moradores de Acari, Parque Colúmbia, Fazenda Botafogo, Colégio, Coelho Neto e Irajá voltaram a viver a cena que já virou rotina: móveis boiando, carros submersos, famílias ilhadas, crianças sem aula, trabalhadores acumulando prejuízos que nunca são ressarcidos. São pessoas honestas, do bem, pessoas que na maioria delas saem à madrugada para seus trabalhos para manter suas famílias com dignidades, compram seus moveis, seus eletrodomésticos, isso tudo com muito sacrifício, Ai vem às fortes chuvas de verão que é certo todo ano acontecer, pois é um fenômeno natural, encontra a Bacia de Acari sem drenagem, sem revitalização, sem a limpeza necessária, o que acontece? Transborda tudo para as ruas e inunda as casas dos moradores, levando embora mais uma vez tudo o que conquistaram com muito sacrifício
São trabalhadores que já vivem com orçamento apertado tendo que recomeçar do zero.
Mas é preciso dimensionar o que está acontecendo.
Segundo dados do IBGE, apenas nesses bairros vivem aproximadamente:
- 92 mil pessoas em Irajá
- 40.710 em Coelho Neto
- 28 mil em Acari
- 23.364 em Colégio
- 13.916 em Fazenda Botafogo
- 10.518 em Parque Colúmbia
São cerca de 300.820 pessoas diretamente inseridas na área de influência da bacia do Rio Acari — sem contar outras comunidades adjacentes. Estamos falando de uma população maior que a de muitos municípios brasileiros, Não é um problema localizado, É uma crise estrutural de drenagem urbana que atinge centenas de milhares de cidadãos que lutam incansavelmente para obter seus bens.
Os números são ainda mais alarmantes: nove em cada dez famílias da região já sofreram com enchentes. Em 81% dos casos, a água ultrapassou um metro dentro das residências. Em 2024, cerca de 20 mil pessoas tiveram seus imóveis atingidos. Isso não é exceção climática. É padrão.
Promessa não cumprida
Durante a campanha eleitoral, o prefeito Eduardo Paes prometeu resolver o problema histórico das enchentes na bacia do Rio Acari por meio das obras do PAC. A promessa foi clara: virar essa página. Porém Eduardo Paes está no 2° ano do seu quarto mandato a frente da prefeitura; Quarto mandato significa continuidade administrativa. Significa controle orçamentário. Significa tempo suficiente para planejar, executar e concluir intervenções estruturais porem ate o momento continua as enchentes tirando o sono dos moradores.
Resposta que não resolve problemas
O município anunciou investimento total de R$ 368 milhões para todas as fases do projeto. A primeira etapa foi homologada recentemente, com prazo estimado de 17 meses. Sensores foram instalados. Dragagem foi anunciada para o verão. Licitações foram divulgadas, No discurso oficial existe planejamento, Na realidade da Zona Norte, existe água dentro de casa obra anunciada não impede enchente, Licitação homologada não reduz o nível do rio, Sensor instalado não salva o sofá de quem mora na área de risco.
A pergunta que precisa ser feita é técnica e política ao mesmo tempo: Eduardo paz já esta no 2° ano do quarto mandato, qual foi à redução concreta do risco de inundação na bacia do Rio Acari?Se o rio continua transbordando diversas vezes ao ano, se milhares continuam perdendo tudo repetidamente, então há um problema de prioridade, de execução ou de modelo de intervenção.
Planos de Eduardo paz
Enquanto isso, o prefeito se movimenta para disputar o governo do estado. E surge uma questão inevitável: como pedir a confiança do estado inteiro se uma das maiores bacias urbanas da capital segue produzindo o mesmo drama ano após ano?
Não se trata de ignorar a complexidade das obras de macrodrenagem. Trata-se de reconhecer que mais 300 mil pessoas não podem continuar vivendo entre promessa e enchente.
A Zona Norte não precisa de mais anúncios, Precisa de resultado mensurável, Precisa de cronograma cumprido, Precisa de transparência sobre execução orçamentária, Precisa de reassentamento digno para quem vive em área de risco; Porque, para quem perde geladeira, cama, documentos e memórias pela quarta ou quinta vez, o debate político é simples: Quando vai parar?
Depois de quatro mandatos, a resposta não pode continuar sendo “em breve”. A água não espera calendário eleitoral; E a paciência da população também não.
