Cardeal italiano que se ofereceu para ser trocado por crianças sequestradas pelo Hamas é forte candidato ao papado

Em 16 de outubro de 2023, durante uma videoconferência com jornalistas italianos, o patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, protagonizou um gesto que comoveu o mundo. Ao se oferecer como refém em troca da libertação de crianças israelenses sequestradas pelo Hamas no início daquele mês, ele afirmou com firmeza: “Estou pronto para uma troca, qualquer coisa, se isso puder levar à liberdade, para trazer as crianças para casa. Não há problema. A minha vontade é total”. A declaração, de enorme impacto simbólico, foi amplamente repercutida pela imprensa internacional, destacando seu comprometimento incondicional com a proteção dos inocentes, mesmo diante de riscos extremos.

Mas seu esforço não parou por aí. Pizzaballa também liderou a atuação humanitária da Igreja Católica em Gaza. Em declarações à imprensa, revelou que mais de mil palestinos, entre eles mulheres, idosos e crianças, estavam refugiados em instalações da Igreja, onde recebiam alimentos, água potável e cuidados médicos essenciais. Essa rede de acolhimento foi viabilizada com o apoio de ordens religiosas locais e organizações como a Caritas Jerusalém, reforçando o papel da Igreja como um agente ativo de paz e socorro em uma das regiões mais afetadas pelo conflito.

Pierbattista Pizzaballa nasceu em 21 de abril de 1965, na cidade de Cologno al Serio, no norte da Itália. Em 2016, ingressou na Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém e, no ano seguinte, tornou-se seu Pró-Grão-Prior. Sua nomeação como Patriarca Latino de Jerusalém ocorreu em 24 de outubro de 2020, por decisão do Papa Francisco, e, poucos dias depois, recebeu o pálio, símbolo de sua missão pastoral.

Em 30 de setembro de 2023, foi elevado ao cardinalato, tornando-se o primeiro patriarca latino de Jerusalém a receber essa honra em mais de duas décadas. Ao longo de sua missão no Oriente Médio, destacou-se por fomentar o diálogo entre cristãos, judeus e muçulmanos, promovendo encontros e iniciativas que buscavam construir pontes em meio a divisões históricas.

Com o falecimento do Papa Francisco em abril de 2025, teve início o conclave para a escolha de seu sucessor. Pizzaballa passou a ser considerado um dos favoritos entre os chamados “papáveis”, impulsionado por sua reputação de equilíbrio, sua experiência diplomática e seu compromisso contínuo com a justiça social e o diálogo inter-religioso. O jornal Times of Israel destacou ainda sua fluência em hebraico e árabe, além de sua profunda familiaridade com as realidades locais, atributos que o tornam uma figura singular entre os cardeais.

Embora o processo do conclave seja confidencial por natureza, o nome de Pizzaballa tem sido um dos mais citados nos bastidores do Vaticano, não apenas pela coragem demonstrada em tempos de guerra, mas por sua visão pastoral em tempos de incerteza.

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