Um dia após a operação policial mais letal da história do Rio, o governador teve seu julgamento marcado no TSE, enquanto isso a violência segue dominando as ruas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para a próxima terça-feira (4/11) o julgamento de dois recursos que podem levar à cassação e à declaração de inelegibilidade do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), A pauta, anunciada pela presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, ocorre um dia após a megaoperação policial que deixou mais de 120 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, a mais letal da história do Rio, A relatoria do processo no TSE é da ministra Isabel Gallotti, que encerra seu primeiro biênio no próximo dia 21. A expectativa é de que ela priorize julgamentos considerados urgentes, incluindo este que envolve figuras centrais da política estadual, sendo esse do governador um dos processos que voltou a pauta.
ENTENDA O CASO
No TSE, os recursos questionam decisões do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que haviam afastado a ocorrência de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. As investigações apontam que milhares de pessoas foram contratadas para cargos públicos secretos na Fundação Ceperj e na UERJ, com salários pagos em dinheiro vivo e sem critérios claros, em um esquema que poderia ter influenciado os resultados eleitorais. Castro responde pela criação fraudulenta de 27 mil cargos “fantasmas”, utilizados como meio de arregimentar cabos eleitorais que teriam garantido a reeleição de Castro em 2022. A expectativa é de que a relatora ministra Isabel Gallotti, vote pela punição, embora ainda possa haver pedido de vista.
Com a grande probabilidade de cassação o governador enxergou nessa mega operação, uma oportunidade para trazer a população para seu lado, pois uma grande parte dos moradores do Estado aplaudiu a decisão do governo. Mas observando a gestão de Castro no geral e principalmente no setor da segurança publica o que vemos é que o cidadão fluminense não tem tranqüilidade em sair para o seu trabalho e seus compromissos ou até mesmo para um lazer, pois a probabilidade de um assalto é grande ou até mesmo ser vitima de bala perdida devido a confronto entre bandidos – o que por diversas vezes só esse ano tivemos as principais vias publicas fechadas devido esses confrontos.
Segundo a plataforma fogo cruzado Só nos primeiros 75 dias do ano corrente tivemos 355 pessoas vitimas de armas de fogo, sendo que 188 ficaram feridas e 167 infelizmente morreram por balas perdidas.
Como exemplo no inicio do mês a idosa dona Iraci Adelgado da silva, de 78 anos foi uma das vitimas da violência, quando homes armados parou um carro na entrada da comunidade Rio das pedras e atiraram, ali estava a idosa conversando com vizinhos como costumava fazer e assim foi atingida e não resistiu aos ferimentos. Um dos filhos da dona Iraci comentou sobre esse triste fato “ Minha mãe foi uma das fundadoras de Rio das Pedras.
Veio com meu pai de Pernambuco para tentar uma vida melhor no Rio. Ela era uma pessoa doce que sabia contar a história da comunidade, aonde chegou entre 1961 e 1962. Só falava coisas positivas e ajudava a todo mundo. Não foi só uma idosa que morreu. Foi parte da história de Rio das Pedras” — lamentou o garçom Josivan Adelgado da Silva, de 24 anos, um dos filhos da aposentada – Nesse mesmo episódio também foi baleado e morto o adolescente Jorge Luiz dos Santos Reis, de 17 anos, que estaria saindo de casa para trabalhar.
E mais recente na ultima sexta-feira dia 31/10 apenas três dias após a mega operação (considerada por Castro um sucesso) a jovem Barbara Elisa Yabeta Borges, de 28 anos perdeu sua vida vitima de bala perdida, ela estava em carro de aplicativo onde embarcou na ilha do governador em direção ao Cachambi , quando nas proximidades do fundão o motorista começou ouvir os disparos de armas de fogo era mais um episódio de tiroteio entre facções rivais nas proximidades da Maré na linha amarela , e logo a seguir percebeu que sua passageira tinha sido atingida, ele a socorreu para o hospital geral de Bonsucesso, mais infelizmente ela não resistiu aos ferimentos.
Uma jovem cheia de sonhos e planos que teve sua vida interrompida devido à falta de segurança no Estado do Rio de janeiro, Barbara era Bancária, tinha sido promovida no trabalho, era esportista e apaixonada por viagens, era casada a pouco tempo e planejava engravidar.
A sogra lamentou a insegurança no Rio de Janeiro. “É muito triste a gente trabalha, luta pelo pão de cada dia, como ela estava fazendo, e morre. Vivemos com medo, sem saber se vamos voltar vivos para casa. É uma sensação de impotência.” Não foi só a família que ficou triste e dilacerada, mais toda sociedade, esse caso deixou toda a população chocada e perplexa.
Para especialistas, a coincidência entre a marcação do julgamento e a megaoperação policial evidencia como decisões políticas e ações de segurança podem se entrelaçar, mas não necessariamente transformar a realidade cotidiana da população. A letalidade das operações continua sendo um ponto crítico: apesar da presença ostensiva da polícia, a violência segue impactando morador, motorista e transeunte, como ilustra o trágico caso de Bárbara.
Ao final, fica a pergunta:
Terá a ousada empreitada de marketing policial — que resultou na morte de mais de 120 pessoas no Rio de Janeiro — atingida seu objetivo de evitar a cassação do governador Cláudio Castro (PL)?
A resposta parece distante da realidade concreta. Apesar do espetáculo midiático em torno da operação, a violência cotidiana segue presente nas ruas, apenas três dias após a operação a Linha Amarela foi fechada e devido ao intenso tiroteio tivemos esse fatídico caso da morte da jovem Bárbara por bala perdida. Em outras palavras, o impacto simbólico da ação não se traduz em segurança efetiva, e o julgamento no TSE permanece como um desafio político independente da operação.
