Eduardo Paes zomba dos Deficientes visuais no Camarote em pleno Carnaval

A mais recente polêmica envolvendo o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), ganhou forte repercussão nas redes sociais e no meio político após a divulgação de um vídeo gravado em um camarote na Marquês de Sapucaí. Nas imagens, o prefeito aparece usando óculos escuros e segurando um objeto que simula uma bengala longa — instrumento fundamental de orientação e mobilidade para pessoas com deficiência visual.

O episódio rapidamente deixou de ser tratado como uma “brincadeira” de ocasião e passou a ser encarado como um gesto ofensivo, considerado por muitos como capacitista e desrespeitoso.

A gravação, divulgada nas redes sociais, provocou críticas imediatas. Internautas, ativistas e representantes de movimentos ligados à inclusão apontaram que a encenação reforça estereótipos e banaliza a realidade enfrentada diariamente por pessoas com deficiência visual.

A crítica central não se restringe ao gesto em si, mas ao simbolismo que ele carrega. A bengala branca não é um adereço carnavalesco — é um instrumento de autonomia e segurança. Transformá-la em elemento de encenação, ainda que em tom aparentemente jocoso, é visto como um ato de desconsideração com uma parcela da população que já enfrenta obstáculos estruturais e preconceito.

A resposta do prefeito

Questionado sobre o episódio, Paes interrompeu um jornalista antes mesmo da conclusão da pergunta e classificou o ocorrido como uma infelicidade. “Foi uma infelicidade minha, Uma infelicidade. Valeu.” Em seguida, deixou a coletiva sem responder a novos questionamentos.

Como pode um prefeito errar e não ter a capacidade de diante da oportunidade de pedir desculpas – classificou seu gesto apenas como uma infelicidade, as pessoas que tem alguma deficiência, seja ela visual ou de outra natureza, é que tem a infelicidade de ter um prefeito que não proporciona uma cidade com mais acessibilidade para que as mesmas circulem pela cidade com mais dignidade. Essa postura adotada também ampliou a repercussão negativa, Para críticos, a resposta foi lacônica e insuficiente diante da gravidade simbólica do gesto. A ausência de um pedido formal de desculpas mais estruturado — que reconhecesse explicitamente o impacto da atitude — contribuiu para a percepção de minimização do ocorrido.

A dimensão política do episódio

No campo político, o caso expõe um desgaste de imagem. Prefeitos de grandes capitais exercem papel institucional que exige responsabilidade pública constante, inclusive em ambientes informais. A linha entre o “momento privado” e a representação do cargo é praticamente inexistente quando se trata de uma autoridade eleita. Além disso, o debate se insere em um contexto mais amplo de discussão sobre capacitismo — conceito que descreve atitudes e estruturas que discriminam pessoas com deficiência. A crítica não é apenas moral, mas também política: espera-se de gestores públicos compromisso inequívoco com políticas de inclusão e respeito à diversidade.

Um gesto que não pode ser banalizado

Classificar o episódio apenas como “infelicidade” reduz a discussão a um deslize pessoal, quando, na verdade, o impacto é coletivo. A representação pública importa. A simbologia importa. E a postura institucional diante de críticas também importa; O episódio pode parecer pequeno no ambiente festivo do Carnaval, mas revela algo maior: a necessidade de maturidade política e sensibilidade social por parte de quem ocupam o mais alto cargo do Executivo municipal.

Histórico de declarações controversas: um padrão que pesa politicamente

A recente polêmica envolvendo o gesto do prefeito na Marquês de Sapucaí reacendeu um debate que vai além de um episódio isolado. Para críticos, o caso atual se soma a um histórico de declarações e comportamentos que, ao longo dos anos, colocaram Eduardo Paes no centro de controvérsias — muitas delas marcadas por comentários considerados ofensivos, elitistas ou desrespeitosos. Em 2016, durante seu segundo mandato à frente da prefeitura, Paes foi citado em uma conversa telefônica com Luiz Inácio Lula da Silva, que á época era investigado na lava jato, nessa conversa com Lula ele foi bem desrespeitoso, No diálogo, o prefeito referiu-se ao sítio Santa Bárbara, em Atibaia — investigado à época — como “sitiozinho vagabundo” e utilizou expressões depreciativas ao comentar sobre Maricá, classificando o município como “uma merda de lugar” ainda disse mais: “Agora, da próxima vez o senhor me para com essa vida de pobre, com essa tua alma de pobre comprando ‘esses barco de merda’, ‘sitiozinho vagabundo’, puta que me pariu!”, diz Paes na gravação, enquanto Lula reage com risadas.

A repercussão foi imediata, sobretudo entre moradores de Maricá, que interpretaram as falas como desrespeitosas e preconceituosas. Diante da reação negativa, Paes afirmou que os comentários foram de “extremo mau gosto” e declarou ter sentido vergonha e arrependimento, e mais uma vez não houve um pedido de desculpas, sendo assim, o episódio deixou marcas políticas. Para muitos, a fala evidenciou uma postura elitista, especialmente ao associar expressões como “vida de pobre” e “alma de pobre” a uma crítica jocosa.

Também em 2016, outro vídeo ganhou ampla circulação nas redes sociais. Durante a entrega de um apartamento a uma mulher beneficiária de programa habitacional, Paes fez comentários de conotação sexual no interior do imóvel.

Frases como “Vai trepar muito nesse quartinho”, “Vai trazer muito namorado pra cá” e “Faz muito sexo aqui” foram ditas em tom de brincadeira, mas causaram constrangimento público à beneficiária, que visivelmente tentou se afastar da situação. Em outro momento, diante de vizinhos, o então prefeito reforçou insinuações de teor sexual.

O episódio foi amplamente criticado por movimentos feministas e por setores da sociedade que apontaram a inadequação da postura,sobretudo por envolver uma mulher em situação de vulnerabilidade social em um evento institucional.

Um padrão que alimenta a crítica

A sucessão de episódios — declarações sobre “vida de pobre”, ataques verbais a uma cidade da região metropolitana, comentários desrespeitosos direcionados a uma mulher em evento oficial e, mais recentemente, a simulação envolvendo pessoa com deficiência visual — sustenta a narrativa de que não se trata de fatos isolados.

Para opositores, esses episódios revelariam uma recorrente falta de sensibilidade social e empatia. O argumento central é que a postura pública de um chefe do Executivo deve refletir respeito à diversidade, às mulheres, às pessoas com deficiência e às populações de diferentes territórios.

O impacto nas ambições políticas

Em meio a sua campanha para disputar o governo do Estado, o histórico de controvérsias torna-se um ativo negativo. A construção de uma candidatura majoritária exige ampliação de diálogo, capacidade de agregação e imagem institucional sólida; A crítica que emerge é direta: como aspirar a governar todo um Estado diverso e plural quando episódios sucessivos sugerem desatenção às sensibilidades sociais? A política contemporânea é marcada pela memória digital permanente — vídeos e declarações não desaparecem; reaparecem, são contextualizados e moldam percepções; Mais do que deslizes pontuais, os episódios passam a compor um enredo político. E, nesse enredo, a questão central não é apenas o arrependimento posterior, mas a recorrência das falas e atitudes que colocam em dúvida o compromisso com o respeito e a empatia no exercício do poder público.

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