Farra do consignado: INSS sofre rombo de quase R$ 100 Bilhões em empréstimos fraudulentos

Em 2025, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tornou‑se o centro de um dos maiores escândalos de fraude da história recente do Brasil. Laudos da Polícia Federal (PF) e da Controladoria‑Geral da União (CGU) revelaram um esquema bilionário envolvendo tanto empréstimos consignados liberados sem autorização quanto descontos associativos indevidos, que afetaram milhões de aposentados e pensionistas.

As apurações, apelidadas de “farra do INSS”, mostraram que, somente em 2023, quase R$ 90 bilhões foram concedidos em empréstimos consignados, parte deles sem qualquer solicitação dos beneficiários. O Tribunal de Contas da União (TCU) registrou mais de 35 mil reclamações de contratos indevidos naquele ano, evidenciando graves falhas sistêmicas na concessão e fiscalização desses créditos.

Ao mesmo tempo, na “Operação Sem Desconto” deflagrada em abril de 2025, as autoridades descobriram que, entre 2019 e 2024, cerca de R$ 6,3 bilhões foram desviados por meio de descontos associativos não autorizados. Aproximadamente 4,1 milhões de beneficiários tiveram suas aposentadorias e pensões reduzidas em cobranças falsas por serviços nunca prestados, como assessoria jurídica e convênios.

Doze entidades, entre elas o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), foram formalmente acusadas de articular o esquema. Servidores do INSS facilitaram a inclusão dos descontos, muitas vezes utilizando assinaturas falsificadas. O escândalo resultou no afastamento do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e na renúncia do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, após denúncias de negligência diante dos constantes alertas.

Em resposta, a CGU retirou o INSS da condução das investigações e determinou a suspensão imediata de todos os descontos associativos nos benefícios. Processos administrativos foram abertos contra as entidades envolvidas, e o governo federal estuda usar recursos orçamentários para ressarcir os prejudicados, cobrando depois as associações suspeitas.

Politicamente, o caso abalou a confiança nas instituições de seguridade social e motivou a oposição a propor uma CPI no Congresso Nacional, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos e fortalecer mecanismos de controle. A repercussão se estendeu ainda ao próprio núcleo familiar do presidente da República, em razão de vínculos de um de seus irmãos com uma das entidades investigadas.

Para evitar fraudes semelhantes, aposentados e pensionistas devem:

  • Acompanhar mensalmente o extrato de pagamento pelo portal ou app Meu INSS, conferindo todos os descontos.
  • Desconfiar de cobranças não autorizadas e comunicar imediatamente o INSS ao identificá‑las.
  • Nunca fornecer dados pessoais ou bancários a terceiros sem comprovar a legitimidade do solicitante.
  • Registrar denúncias junto à ouvidoria do INSS ou procurar órgãos de defesa do consumidor ao suspeitar de irregularidades.

Esse escândalo evidencia a necessidade de controles mais rígidos e da participação ativa dos beneficiários na fiscalização de seus próprios benefícios, reforçando a importância da transparência e da colaboração entre a sociedade e as autoridades.

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